Relatório da ONU aponta genocídio contínuo em Gaza após trégua
Um inquérito da ONU destaca que Israel teria persistido em ações genocidas em Gaza mesmo após um cessar-fogo, com um foco particular nas violações contra crianças palestinas.

A Comissão Internacional de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório nesta segunda-feira (26) que afirma que Israel continuou a cometer genocídio em Gaza após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2023. O documento avalia as violações de direitos humanos, especialmente as que afetam crianças palestinas, desde o início da guerra contra o Hamas até setembro de 2026.
De acordo com o relatório, as autoridades israelenses teriam agido com a intenção de destruir, total ou parcialmente, a população palestina em Gaza. Além disso, a situação na Cisjordânia ocupada também se deteriorou, com um aumento significativo nas hostilidades. A Comissão destacou que o uso de armamentos pesados e táticas militares em áreas densamente povoadas continuou durante o período de trégua.
O embaixador de Israel em Genebra, Daniel Meron, respondeu às alegações, afirmando que o relatório faz parte de uma campanha para desacreditar o Estado israelense. Segundo ele, as investigações da ONU são uma tentativa de minar a legitimidade de Israel e negá-lo o direito à autodefesa.
Os dados apresentados pela Comissão revelam que mais de 74 mil pessoas teriam perdido a vida em Gaza desde o início dos conflitos, após ataques iniciais que resultaram na morte de aproximadamente 1.200 pessoas em Israel. A comissão também observou um aumento alarmante no número de palestinos mortos na Cisjordânia, que subiu de seis entre 2008 e o início de outubro de 2023 para 254 entre outubro de 2023 e setembro de 2026.
O presidente da Comissão, Srinivasan Muralidhar, enfatizou que os assassinatos intencionais de civis palestinos e a destruição de suas residências se inserem em uma estratégia mais ampla que visa exterminar e deslocar a população palestina. A continuidade das operações militares desde janeiro de 2025 acentuou essa crise, levantando preocupações sobre as consequências humanitárias da situação.