Perícia técnica será realizada no sistema Smart Sampa após vazamento de dados
A Justiça de São Paulo determinou a realização de uma perícia independente no sistema de monitoramento Smart Sampa, após o vazamento de dados de mais de 58 mil câmeras. A decisão foi motivada por uma ação civil pública e busca avaliar a segurança e o tratamento de dados do programa.

A Prefeitura de São Paulo enfrenta um desafio significativo após o vazamento de dados sigilosos relativos ao sistema de monitoramento Smart Sampa, que abrange mais de 58 mil câmeras na cidade. A Justiça de São Paulo decidiu que uma perícia técnica independente será realizada para investigar a situação, uma medida que se tornou necessária diante das preocupações com a segurança da informação.
A decisão judicial foi respaldada por uma ação civil pública proposta por organizações como o Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin) e o Instituto de Referência Negra Peregum, além da Defensoria Pública do Estado. Segundo a Justiça, as provas apresentadas até o momento não eram suficientes para determinar a causa do vazamento, o que gerou a necessidade de uma análise mais aprofundada.
O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) foi convidado a realizar a perícia. A análise deverá abordar vários aspectos técnicos, incluindo a precisão da tecnologia utilizada, a ocorrência de falsos positivos e negativos, bem como os protocolos de segurança e governança de dados do sistema.
Relatos indicam que dados sensíveis foram expostos na internet por um período de aproximadamente 11 meses. A exposição incluía informações de 181 logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções para replicar o sistema em dispositivos pessoais. A gravidade da situação gerou preocupações entre especialistas em segurança da informação.
A administração municipal classificou o incidente como um ato criminoso, alegando que um dos agentes de segurança teria sido responsável pela exposição das informações. A Prefeitura também contestou a caracterização do vazamento como uma falha de segurança, afirmando que não houve uso indevido da plataforma. O repositório que continha os dados sigilosos foi retirado do ar pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, mas as implicações do incidente ainda estão sendo avaliadas.