ONU aponta crimes de guerra da Rússia na Ucrânia ao atacar infraestrutura civil
Um relatório da Comissão Internacional Independente da ONU revela que a Rússia tem atacado intencionalmente a infraestrutura energética da Ucrânia, causando sérios danos à população civil e configurando crimes contra a humanidade.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, vinculada à ONU, divulgou um relatório nesta segunda-feira (26) que afirma que a Rússia comete crimes de guerra ao atacar deliberadamente a infraestrutura civil da Ucrânia. Os ataques têm se concentrado em sistemas de energia essenciais, deixando milhões de ucranianos sem aquecimento e eletricidade, especialmente durante os meses mais frios.
Desde os primeiros meses do conflito, iniciado em 2022, as forças russas intensificaram seus ataques à infraestrutura energética, especialmente no inverno passado. O relatório sugere que esses ataques não foram aleatórios, mas parte de uma “política de Estado” com o objetivo de “privar a população civil de suprimentos energéticos essenciais e causar sofrimento”.
Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, comentou que as conclusões do relatório confirmam a experiência vivida pelos cidadãos ucranianos. Ele destacou que a Rússia tem utilizado a privação de recursos básicos como uma arma de guerra, resultando em um sofrimento desumano para a população.
O impacto desses ataques é severo: segundo informações de Kiev, os bombardeios com drones e mísseis no inverno do ano passado reduziram a capacidade de geração de energia térmica em até 70% nas áreas mais afetadas. As temperaturas extremas, que chegaram a -30 graus Celsius, agravaram ainda mais a situação, levando a mortes registradas devido às condições adversas em residências e hospitais.
A Comissão da ONU, formada logo após o início da invasão em larga escala pela Rússia, já havia relatado anteriormente outras violações, incluindo violência sexual e a deportação forçada de crianças ucranianas. O novo relatório coloca em evidência a gravidade da situação humanitária na Ucrânia e a responsabilidade das autoridades russas pelos ataques sistemáticos contra civis.