O Brasil precisa recuperar a confiança de quem investe
O mercado muda de opinião em um dia. A economia não muda na mesma velocidade.

As eleições de 2026 mostraram como o mercado reage rápido às expectativas. Depois do primeiro turno, a Bolsa subiu, o dólar caiu e os juros futuros recuaram. O segundo turno mudou o humor do mercado. A Bolsa recuou, enquanto o dólar e os juros futuros voltaram a subir.
Mas o que isso significa para a economia brasileira? E, principalmente, para quem precisa investir, contratar e fazer uma empresa crescer?
Na minha visão, o Brasil precisa enfrentar um problema que há muito tempo limita nosso crescimento: o custo do crédito.
Temos empresários dispostos a investir, ampliar seus negócios e gerar empregos. Mas como fazer isso quando os juros são tão altos que muitos projetos deixam de valer a pena?
Quem empreende sabe que investir exige planejamento, capacidade de assumir riscos e alguma previsibilidade. Quando o crédito está caro e o cenário econômico é incerto, muitos empresários preferem esperar. E, quando o investimento fica parado, o crescimento também perde força.
A confiança tem um preço
Quando a confiança diminui, a percepção de risco aumenta e o crédito fica mais caro. Essa conta chega diretamente ao empresário brasileiro.
Estou em Nova York neste momento, conversando com instituições financeiras e investidores para construir parcerias que possam ampliar o acesso ao crédito para empresas brasileiras.
Temos bons empresários, negócios sólidos e projetos com potencial de crescimento. Mas muitos encontram dificuldades para conseguir financiamento a um custo que faça sentido para a realidade de suas empresas.
É isso que estamos buscando: aproximar investidores de empresas que querem crescer com responsabilidade, criando alternativas de financiamento adequadas à capacidade e ao momento de cada negócio.
Mas precisamos avançar também dentro do Brasil.
Defendo que o governo controle os gastos públicos, reduza a burocracia e garanta segurança jurídica para quem quer investir. Quando demonstra compromisso real com essas medidas, a percepção de risco tende a diminuir. E, com mais confiança, criamos condições para atrair capital e reduzir seu custo.
O mercado precisa enxergar consistência entre o que o governo anuncia e o que efetivamente entrega.
O empresário precisa de condições para crescer
Pense em uma pequena ou média empresa que pretende comprar equipamentos, ampliar sua produção ou abrir uma nova unidade.
Se o custo do financiamento consome boa parte do retorno esperado, o projeto pode deixar de ser viável. A empresa deixa de investir, fornecedores perdem oportunidades e empregos deixam de ser criados.
Precisamos ampliar a concorrência no mercado de crédito, atrair investimentos e facilitar o acesso ao capital privado.
O Brasil tem empresas capazes de crescer. O desafio é oferecer condições para que bons projetos encontrem financiamento competitivo, sem comprometer a saúde financeira dos negócios
O mercado quer resultados
A reação da Bolsa às eleições mostra como as expectativas influenciam os preços dos ativos. Mas uma alta do mercado não significa, por si só, que a economia melhorou.
Da mesma forma, a queda dos juros futuros não representa automaticamente uma economia já realizada para o governo.
Para que os juros caiam de forma sustentável, precisamos de responsabilidade fiscal, inflação sob controle e confiança na execução das políticas econômicas.
O Banco Central define a Selic, mas as decisões do governo sobre gastos, impostos, burocracia e ambiente de negócios influenciam a percepção de risco e as expectativas do mercado.
Acredito que o Brasil precisa dar mais espaço à iniciativa privada, melhorar o ambiente de negócios e criar condições para que o investimento produtivo aconteça.
Isso exige decisões concretas. O governo precisa demonstrar que consegue administrar suas contas, cumprir compromissos e reduzir os obstáculos enfrentados por quem empreende.
O empresário brasileiro quer investir, contratar e crescer. Precisamos criar condições para que o capital chegue até ele a um custo que faça sentido.
