iFood aciona justiça contra Keeta por práticas anticompetitivas
O iFood processou a Keeta, alegando que a rival chinesa utiliza subsídios para praticar preços predatórios no Brasil, prejudicando empresas locais.

No último dia 4 de novembro, o iFood protocolou uma ação judicial contra a Keeta, uma concorrente chinesa, acusando-a de adotar práticas anticompetitivas no setor de delivery no Brasil. O processo, que está sendo analisado na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo, destaca preocupações sobre como a Keeta utiliza recursos financeiros de sua controladora, a Meituan, para oferecer preços artificialmente baixos e atrair consumidores.
Entre as alegações do iFood, está a prática de "aliciamento ilícito" de restaurantes que já operam na plataforma. A empresa afirma que a Keeta tem oferecido incentivos para que esses estabelecimentos rompam contratos de exclusividade, além de buscar informações comerciais sigilosas. Essa estratégia, segundo o iFood, prejudica a concorrência e as operações de negócios já estabelecidos.
O iFood não se limita a questionar a política de preços da Keeta, mas também busca uma perícia econômico-financeira. O objetivo é calcular o volume de subsídios que a concorrente utiliza para sustentar os preços baixos, o que o iFood classifica como uma forma de "concorrência desleal". A plataforma acredita que essa prática poderá gerar uma “bolha de cupons”, que estouraria quando a Keeta decidisse reduzir os subsídios.
Em agosto, o iFood já havia denunciado as práticas da Keeta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas agora a empresa optou por levar a disputa para a esfera judicial. Lucas Pittioni, vice-presidente Jurídico, de Políticas Públicas e M&A do iFood, expressou preocupação com os impactos que essa estratégia pode ter sobre os restaurantes e entregadores, que podem ser afetados pela falsa demanda gerada por essas promoções.
“A discussão não é sobre a existência de competição, mas sobre como responderemos aos restaurantes que estão investindo na expansão de suas operações, acreditando em uma demanda que pode não se sustentar no longo prazo”, afirmou Pittioni, ressaltando a importância de um mercado justo e transparente para todos os envolvidos.