Ibovespa registra queda de 1,06% e dólar sobe para R$ 5,38 em meio a temores fiscais
O Ibovespa fechou o dia em queda, refletindo a aversão ao risco dos investidores, enquanto o dólar apresentou alta após duas sessões de baixa.

O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com uma queda de 1,06%, alcançando 169.186,42 pontos. Esse desempenho negativo é atribuído a um aumento da aversão ao risco tanto no mercado doméstico quanto no internacional, impulsionado por preocupações relacionadas às contas públicas e à possibilidade de alterações na tributação sobre investimentos.
No mercado cambial, o dólar comercial subiu 0,89%, sendo cotado a R$ 5,387. Essa alta ocorreu após dois dias de queda da moeda, mesmo com o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a outras moedas, apresentando uma leve queda de 0,18%.
Durante o dia, o principal índice da Bolsa brasileira variou entre 171.402,97 pontos e 168.765,35 pontos, com um volume financeiro total de R$ 41,90 bilhões. O economista Fabio Louzada, da B7 Business School, destacou que a preocupação com a situação fiscal do Brasil e as incertezas sobre a política econômica são fatores que têm afetado a confiança dos investidores.
Louzada também apontou que a queda das ações de grandes empresas, como Petrobras e Vale, reflete a deterioração das expectativas fiscais e o medo de intervenções na economia, o que poderia impactar a rentabilidade dessas companhias. Além disso, a curva de juros futuros também sofreu pressão, indicando que os investidores estão exigindo maior retorno para financiar a dívida nacional.
A discussão em torno das contas públicas ganhou destaque, especialmente com a análise da Instituição Fiscal Independente que indicou que diversos programas e medidas governamentais poderiam gerar um desequilíbrio fiscal de R$ 40 bilhões. No horizonte, a alíquota de 11,3% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) trouxe novas inquietações sobre possíveis aumentos de impostos em 2027.
Além das preocupações fiscais, os balanços corporativos também impactaram o mercado. A Ambev, por exemplo, apresentou resultados do terceiro trimestre de 2026 que decepcionaram investidores, resultando em uma queda de mais de 3% nas suas ações, apesar do anúncio de um programa de recompra de ações. O setor de varejo e construção civil também sentiu a pressão, com empresas como Lojas Renner e Magazine Luiza apresentando resultados que refletiram os efeitos de juros elevados.