Fuga de Flávio pode motivar prisão preventiva, dizem especialistas
A recente saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota nas eleições pode levar à decretação de sua prisão preventiva, afirmam especialistas. A medida se basearia no descumprimento de uma ordem judicial do STF.

A fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, após sua derrota nas eleições, pode resultar em consequências jurídicas severas, incluindo a possibilidade de uma prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Especialistas consultados indicam que a não entrega de seus passaportes, conforme determinado pela justiça, configura um risco de não comparecimento ao processo judicial.
Segundo informações, Flávio deixou o Brasil pouco depois de o ministro Alexandre de Moraes ter ordenado a entrega de seus passaportes e proibido sua saída do país. O prazo para a entrega dos documentos expirou sem que o senador cumprisse a ordem, levando a Polícia Federal a cancelar seus passaportes.
A professora de Direito da FGV, Luisa Ferreira, destacou que a atitude de não entregar os documentos pode ser interpretada como tentativa de fuga, o que justificaria a decretação da prisão preventiva. Ferreira enfatiza que essa situação cria um cenário claro onde o risco de não cumprimento das obrigações legais pode ser utilizado como base para uma possível prisão.
O advogado José Paes Neto, especialista em Direito Eleitoral e Político, reforçou essa análise, afirmando que a decisão de deixar o país, descumprindo uma ordem judicial, pode ser vista como um agravante em um eventual processo. Ele ressaltou que, embora Flávio não possa ser preso em flagrante devido à sua condição de senador, o fato de ter descumprido uma ordem judicial é um fundamento clássico para a prisão preventiva.
Flávio Bolsonaro enfrenta atualmente investigações em três inquéritos no STF, que envolvem desde calúnia até suspeitas de lavagem de dinheiro. As decisões sobre o prosseguimento desses casos dependem da análise dos vínculos entre os crimes investigados e seu mandato parlamentar. Caso esses vínculos sejam estabelecidos, os processos continuarão a tramitar no STF; caso contrário, poderão ser enviados à primeira instância.